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Marte

Marcelo Benvenutti

Depois da vida em Marte, o que me resta?
Resta uma cama solta num quarto escuro.
Um dia amanhecendo triste e vazio.
Resta a quase certeza da solid�o.
Resta saber que ainda sobrevive a incompreens�o.
N�o estou alegre ou triste.
Aditivos qu�micos comandam as vidas alheias
que se deslumbram com o canto das sereias.
Mas quem sou eu perdido nessa viagem?
Um imbecil sens�vel que se apaixona e
se atira de cabe�a. Sem pensar. Sem temer.
E o que h� para se temer? Nada.
Estamos mortos desde o dia em que nascemos.
Cada dia � apenas um caminho a menos para o fim.
Ainda resiste algo. Eterno. O amor sem medo.
O temor morre na finitude dos covardes.
Prefiro a intensidade do momento.
A veracidade da loucura moment�nea.
O relacionamento que se expande na liberdade alheia.
N�o existe a dor psicol�gica ou a tristeza de apartamento.
A rotina � a forca dos sentimentos.
Quero a rotina insana da paix�o sem perguntas.
Quero viajar e n�o temer as respostas que n�o sei responder.
N�o tenho respostas para tudo.
Quero a irresponsabilidade da vida fiel.
Sento na cadeira cansado de tanto esperar a verdade.
A verdade � como queijo derretido.
Se n�o for consumida na hora, fica seca e dura.
Mas o desejo e a paix�o? Essas doen�as que atacam os bons
de cora��o? Aonde sobrevivem?
Em algum lugar de Marte, onde nunca estive.
Quando l� chegar saberei que � verdade
e que encontrei o amor verdadeiro.
Sofro? Sim. Claro que sim.
At� as pedras choram.
Eu n�o sou uma pedra.
Sou um marciano.

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