October 9, 2003 CURRICULUM VITAE
autor desconhecido
“Eu j� dei risada at� a barriga doer,
j� nadei at� perder o f�lego,
j� chorei at� dormir
e acordei com o rosto desfigurado.
J� fiz cosquinha na minha irm� s� pra ela parar de chorar,
j� me queimei brincando com vela.
Eu j� fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto,
j� conversei com o espelho,
e at� j� brinquei de ser bruxo.
J� quis ser astronauta,
violonista, m�gico, ca�ador e trapezista.
J� me escondi atr�s da cortina e esqueci os p�s pra fora,
j� passei trote por telefone,
j� tomei banho de chuva,
e acabei me viciando.
J� roubei beijo,
j� fiz confiss�es antes de dormir
num quarto escuro pro melhor amigo.
J� confundi sentimentos,
Peguei atalho errado
e continuo andando pelo desconhecido.
J� raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
j� me cortei fazendo a barba apressado,
j� chorei ouvindo m�sica no �nibus.
J� tentei esquecer algumas pessoas,
mas descobri que essas s�o as mais dif�ceis de se esquecer.
J� subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas,
j� subi em �rvore pra roubar fruta,
j� ca� da escada de bunda.
Conheci a morte de perto,
e agora anseio por viver cada dia.
J� fiz juras eternas,
j� escrevi no muro da escola,
j� chorei sentado no ch�o do banheiro,
j� fugi de casa pra sempre,
e voltei no outro instante.
J� sa� pra caminhar sem rumo,
sem nada na cabe�a, ouvindo estrelas.
J� corri pra n�o deixar algu�m chorando,
j� fiquei sozinho no meio de mil pessoas
sentindo falta de uma s�.
J� vi p�r-do-sol cor-de-rosa e alaranjado,
j� me joguei na piscina sem vontade de voltar,
j� bebi u�sque at� sentir dormentes os meus l�bios,
j� olhei a cidade de cima
e mesmo assim n�o encontrei meu lugar.
J� senti medo do escuro,
j� tremi de nervoso,
j� quase morri de amor,
mas renasci novamente pra ver o sorriso de algu�m especial.
J� acordei no meio da noite
e fiquei com medo de levantar.
J� apostei em correr descal�o na rua,
j� gritei de felicidade,
j� roubei rosas num enorme jardim.
J� me apaixonei e achei que era para sempre,
mas sempre era um “para sempre” pela metade.
J� deitei na grama de madrugada
e vi a Lua virar Sol,
j� chorei por ver amigos partindo,
mas descobri que logo chegam novos,
e a vida � mesmo um ir e vir sem raz�o.
Foram tantas coisas feitas,
momentos fotografados pelas lentes da emo��o,
guardados num ba�, chamado cora��o.
E agora um formul�rio me interroga,
me encosta na parede e grita:
“- Qual sua experi�ncia?”
Essa pergunta ecoa no meu c�rebro:
“- experi�ncia…experi�ncia…”
Ser� que ser “plantador de sorrisos” � uma boa experi�ncia?
N�o!!!
Talvez eles n�o saibam ainda colher sonhos!”